
Obrigada
Flicka, longlive13, Carolina e Ricardo pela colaboração na tradução do artigo! Podem ler na integra, em português, em baixo. Clica em “Ler Mais…” para leres a entrevista completa.
A sensação country-pop Taylor Swift adopta um novo visual e fala sobre fama, ambição, e das alegrias de estar por conta própria.
Taylor Swift está sentada na primeira fila no desfile “pronto-a-vestir” da Rodarte, edição Primavera de 2012, que decorre durante a New York Fashion Week. Tem um aspecto apropriado e puro numa confecção cor de marfim, com mangas compridas de renda, gola alta e saia até aos pés – um visual da colecção de Outono da Rodarte, inspirado, em parte, no espírito das quintas do Kansas.
É o tipo de vestuário que traça uma linha ténue entre sinceridade e ironia, entre o demasiado literal e uma inteligente referência de moda. Por outras palavras, é precisa uma rapariga com uma certa habilidade para o usar sem parecer Melissa Sue Anderson em “Uma Casa na Pradaria”.
O facto de Swift ser magra como uma supermodelo, mais alta que toda a gente (com 1,77m de altura e ultrapassa facilmente 1,80m sobre uns sapatos de plataforma Mil Miur), e uma pele pálida – bem, digamos que se encaixa algures entre “charmosa” e “deslumbrante”.
O facto da ironia não ser o seu forte torna o seu triunfo ainda mais satisfatório: ela veste o vestido, não é o vestido que a veste. Entre os profissionais, ela é só sorrisos confiantes, admiração, abraços e pontos de exclamação. Estranhamente, o seu oposto está sentado apenas dois lugares abaixo: Rooney Mara, ainda em modo Lisbeth Salander, vestida de preto com ar pálido e assustador. Um editor sentado nas proximidades opina em tom de brincadeira que elas podiam ser as bruxas boa e má do “Feiticeiro de Oz”.
Conforme as modelos iniciam a procissão, rápido se torna claro que a Rodarte, cuja estética de bruxa má tornou as irmãs Mulleavy as predilectas da moda, se moveu para o território da bruxa Glinda. É como se tivessem pedido um exército de Taylor Swifts ao seu director de casting – loiras bonitas e esguias com longos cabelos ondulados, mas usando maquilhagem de zombie. De facto, a colecção inteira, um desfile de vestidos bonitos, saias e camisolas tricotadas á mão com flores azuis e girassóis amarelos com algumas pinturas da “Noite Estrelada” de Van Gogh – tudo parece ter sido desenhado para Swift. “Nunca vi um desfile onde quisesse vestir tudo,” diz ela sem fôlego.
Depois, enquanto mergulhamos no aperto da rua à procura do carro e do motorista de Swift, ouço alguém descrever a colecção como “jovem e ácida”. Apercebo-me que a própria Taylor pode ser descrita dessa forma – para uma certa audiência, a sua música e o visual estão presos na adolescência. O que torna uma boa surpresa descobrir o quão perspicaz é. Divertida, inteligente e de vez em quando francamente indecente, enquanto viajamos pela cidade com uma pequena comitiva neste dia quente de Outono, visitando exposições de designers.
Efectivamente, uma das primeiras coisas que Swift menciona é o infame clip no Youtube sobre um animal chamado ratel (honey-badger), um vídeo que apresenta uma narração repleta de obscenidades. Swift sabe todas as falas – no entanto pede que os palavrões que diz sejam mantidos longe dos ouvidos das pessoas. Ela pode ser mais ousada do que a sua imagem sugere, mas não é a Courtney Love. Tem perfeita noção do que é adequado ou não. Também conhece a sua audiência e sabe que não está preparada para a ver crescer, pelo menos para já.
À medida que caminhamos pela baixa de Manhattan cheia de tráfego em direcção ao salão do Alexander Wang, envolve-mo-nos numa conversa sobre como nunca ultrapassamos a escola secundária. Se a Taylor Swift tem sido criticada por de alguma forma estar presa no seu desenvolvimento criativo – presa ao baile de finalistas, como se assim fosse – essa tendência emprestou-lhe uma capacidade inacreditável para capturar nas suas canções a mente vunerável das jovens adolescentes de todo o mundo. “Porque é que tens de ser tão mau?” ela canta numa canção directa que tornou o seu ano fantástico de várias maneiras e foi nomeada para dois Grammys. É nítido/claramente, os seus dias de escola ainda estão bem vívidos/presentes. Swift, que cresceu numa quinta de árvores de natal na Pensilvânia rural, conta-me que quando ela estava no quarto ano a sua família mudou-se para o Wyomissing, um subúrbio rico de Reading.
“Então…a escola básica? Estranha” diz-me, lançando-se no primeiro de muitos riffs cómicos. “Ter um hobby que é diferente de toda a gente? Estranho. Cantar o hino nacional ao fim-de-semana em vez de ir a festas de pijama? Muito Estranho. Aparelho? Estranho. Ganhar peso antes de crescer? Estranho. Cabelo frisado, ainda sem ter adoptado os caracóis? Estranho. Tentar estica-lo? Estranho!” Ela começa a rir. “Tantas fases!”
Por mais difícil que pareça agora, Swift sempre se sentiu à margem.
“Eu acho que quem tu és na escola permanece mesmo contigo. “ ela diz. “Eu nunca me sinto como a pessoa popular na festa, nunca. É do género, Sorri e sê simpática para toda a gente, porque tu não foste convidada para estar aqui.”
Quando eu confesso que toquei címbalos na banda da escola no meu ano de caloiro, ela dâ me um “high-five”. “Todas as minhas pessoas favoritas – as pessoas em quem eu realmente confio – nenhuma delas foi popular quando eram mais novos.” ela diz. “Porque se tu sabes como ser popular na escola básica talvez tenhas capacidades que não devias. Talvez saibas ser manipulador de forma natural.” Ela ri. “Existe sempre aquela rapariga do sétimo ano que parece que tem 25 anos. E tu estás tipo, Como é que tu o fazes? Como é que tu o fazes, Sarah Jaxheimer?” ela diz numa voz de falsete “Porque é que o tem cabelo está sempre tão brilhante?!” (Mais tarde, eu pesquiso no Google Sarah Jaxheimer, e de certeza, ela têm um perfeito, lustroso, cabelo à Jennifer Aniston.)
Swift parou finalmente de se importar com ser popular.
“Eu penso que isso aconteceu assim que eu deixei a escola, quando eu tinha dezasseis, porque então tudo o que importava era a música e este sonho que eu tinha tido a minha vida toda. Nunca me importei que as pessoas não achassem a música country popular, e que gozassem comigo por causa disso – apesar de me importar que eu não estivesse a usar as roupas que toda a gente usava na altura. Mas a uma certa atura, eu estava tipo, Eu gosto de usar vestidos de verão e botas de cowboy.”
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